Brazilian Historic Gardens

 

Jardim das Princesas – RJ

Em Portugal, a historiadora Isabel de Albergaria pesquisou e escreveu alguns textos sobre os embrechados daquele país. De acordo com ela, do francês “brèche” que significa fissura, fenda, ruína ou sulco, a palavra embrechado não tem equivalência noutras línguas, definindo igualmente um tipo decorativo muito usual e, de certa forma, único nos jardins portugueses a partir do século XVII. Os jardins do Palácio Fronteira, em Lisboa, guarda um dos mais belos acervos da arte dos embrechados em Portugal. 

No site da Fundação Fronteira e Alorna, sobre os embrechados da área externa do Palácio, há a informação

“O Palácio Fronteira é provavelmente um dos conjuntos de embrechados mais ricos e mais belos do século XVII em Portugal. Trata-se de uma forma artística de revestimento parietal ainda muito pouco estudada e em que as operações de conservação e limpeza são extremamente delicadas. Existem embrechados nas seguintes zonas: paredes do Terraço, designadamente na sua fachada Sudoeste, no Nartex da Capela, designadamente no tecto da zona onde se encontra a pia baptismal, na Casa do Fresco, nas paredes do Tanque dos Cavaleiros e no tecto das três grutas que se inscrevem no muro Sul do referido Tanque, das quais, apenas a central é acessível por terra. Estes últimos embrechados carecem de uma intervençáo que permita vê-los em todo o seu esplendor, dado que as cores estáo quase completamente ocultas, dada a acumulação de musgos e líquens provocada pela umidade”. 

Aqui no Brasil temos um exemplar bastante rústico de embrechados. Parte do texto a seguir é de Cláudia Thomé Witte, publicado originalmente num grupo fechado. As fotografias também foram publicadas por ela, mas estão disponibilizadas na internet. 

Não é um trabalho com apuro técnico e artístico elaborado, tampouco estes nossos embrechados possuem a técnica e a arte daqueles executados em Portugal. Porém, conseguem expressar um cuidadoso trabalho de colagem de pequenas conchas e pedaços de louças. Trata-se do Jardim das Princesas, localizado na ala direita do Palácio de São Cristóvão no Rio de Janeiro.

O Jardim, fechado ao público, encontra-se maltratado e abandonado, segundo relatos, como não é de se estranhar aqui em nosso país. 

É um terraço formado por bancos de pedra, fontes e uma gruta pequena. Os embrechados estão dispostos nos bancos. 

As princesas Isabel e Leopoldina, filhas de dom Pedro II, Imperador do Brasil, se dedicaram quando jovens a decorar este pequeno jardim incentivadas e orientadas por sua mãe, a Imperatriz dona Teresa Cristina das Duas Sicílias. Criada no reino de Nápoles, a imperatriz cultivava verdadeira paixão pela arqueologia e pela arte de mosaicos. Utilizando conchas e cacos de louças quebradas dos serviços do Paço, a Imperatriz e as princesas revestiram através de uma técnica conhecida como embrechamento paredes, bancos e fontes do pequeno jardim. Há no recosto de um dos bancos a inscrição “29 de julho de 1852”, data do aniversário de 6 anos da princesa Isabel. Além da sensibilidade artística, este lindo trabalho deixou também testemunho das louças imperiais da época, muitas das quais estão hoje desaparecidas.

As duas primeiras fotografias abaixo mostram os embrechados no Jardim das Princesas, no RJ, as demais são dos embrechados do Palácio Fronteira, em Lisboa. 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Fontes: 

Albergaria, Isabel Soares de. Os embrechados na arte portuguesa dos jardins

Imagens dos sites: miniweb.com.br, mosaicosdobrasil.tripod.com e rioecultura.com.br

One Response to Jardim das Princesas – RJ

  1. Diva

    Vi uns pequenos exemplos deste tipo de trabalhem molduras de espelhos. Mas nunca tinha visto aplicado a arquitetura. fiquei encantada. Proxima vez que for a Lisboa vou ver este Jardim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

*