Brazilian Historic Gardens

 

Fontes Wallace

As Fontaines Wallace pelo mundo

Richard Wallace (1818-1890) foi um colecionador de obras de arte e filantropo britânico. Quando vivia em Paris doou, em 1872, mais de 100 fontes de água conhecidas como Fontes Wallace, para cidades como Paris, Lisboa, Rio de Janeiro, Barcelona e outras.

Conta-se que quando Wallace visitou Paris teve sede e precisou pagar para beber água em um café. Ele teria perguntado: “Como fazem os que têm sede na cidade e não têm dinheiro?” Então ofereceu as fontes para Paris. O modelo encontra-se no Museu Wallace, em Londres.

Este tipo de fonte foi moldada em ferro na década de 1870, pela Fundição artística Val d’Osne na França, e seu escultor, Charles Lebourg, fez representar através de quatro belas cariátides algumas virtudes como a Bondade, a Caridade, a Sobriedade e a Simplicidade. Sob um pedestal destacam-se as quatro delicadas estátuas femininas, trajadas em vestes gregas, sustentando uma cúpula.

A mesma fonte modelo Wallace pode ainda hoje ser encontrada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no Rossio, em Lisboa, numa das ruas de Barcelona e em várias das de Paris.

No Brasil, a cidade do Rio de Janeiro será a mais fartamente ornada por peças de ferro fundido, principalmente nos seus jardins, largos, praças e parques públicos em construção ou remodelação no Segundo Império. Entre estas peças estão as fontes Wallace.

Há registros de Fontes Wallace na cidade do Rio de Janeiro em diversos pontos:

  • no Passeio Público;
  • no Parque Nacional da Tijuca;
  • em Botafogo;
  • na Avenida Rio Branco;
  • no pátio interno da Caixa Econômica Federal no Centro do Rio);
  • no bairro de Santa Cruz, inicialmente instalada em frente ao Palácio Imperial (atual Batalhão Escola de Engenharia) e mais tarde transferida para a Praça Dom Romualdo;
  • no Jardim Botânico há sete fontes Wallace do tipo mural.

Em meados do século XIX, nos belos catálogos de divulgação das fundições artísticas, como a Val d’Osne e a Fundição Antoine Durenne, variadas estampas de peças artísticas a serem fundidas em ferro circulavam por países da Europa e da América. O mobiliário urbano das cidades em remodelação naquele momento seria fortemente influenciado pelas peças fundidas com este material reproduzidas em larga escala como produto da combinação da indústria e da arte.

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A fonderie Val D’Osne foi uma das que mais exportou equipamentos urbanos para os espaços públicos no Brasil, entre o final do XIX e início do XX. Gustave Barbezat adquiriu a fundição artística de Jean Pierre Victor André, a famosa Fundição Val D’Osne, após a morte precoce do seu fundador, em 1855. No Brasil, pesquisas indicam que era conhecida como Companhia Barbezat ou Fábrica Barbezat, no século XIX e em parte do século XX, apesar de ter sido vendida em 1867 para a Fourment e Houillé & Cia. A Fundição denominada, atualmente, de Val D’Osne teve vários proprietários e, consequentemente, variadas denominações durante sua existência: Fundição de Jean Pierre Victor André – fundador e primeiro proprietário; Fundição de Victor André e Mathurin Moreau; posteriormente, Fundição Gustave Barbezat – segundo proprietário; Fundição Fourment e Houillé & Cia – terceiro proprietário; entre 1870 e 1892, sua denominação mudou para Société Anonyme des Fonderies d’Art du Val d’Osne.

Em 1931, a Fundição Durenne adquiriu a Val D’Osne, transformando-a em Société Anonyme Durenne et du Val d’Osne. Além destas denominações, muitas vezes era apenas referenciada como Fundição de Haute-Marne. Em muitas peças, ao invés do nome da fundição aparece o do seu escultor: Mathurin Moreau, Louis Sauvageau, entre outros. Estas variadas acepções dificultam os levantamentos históricos a respeito da aquisição e da proveniência das peças, por este motivo é importante não perder de vista estas mudanças em sua denominação e vicissitudes de impressão de autoria nas peças, para entendermos que se trata da mesma fundição.

Postagem editada. Abaixo fotografias de Alexandre Machado das fontes Wallace no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Obrigada Alexandre por tamanha atenção e generosidade! #alexandrejbrj 

Referências:

Jornal O GloboConjunto de fontes compõe o cenário carioca desde o século XIX.

Dicas de Francês para brasileiros.

MAGALHÃES, Cristiane Maria. Patrimônio d’Art: o mobiliário artístico dos jardins históricos brasileiros. In: ARECES, Miguel Ángel Álvarez. (Org.). Paisajes Culturales, Patrimonio Industrial y Desarrollo Regional. Colección Los Ojos de la Memoria. 1ed. Gijón, España: CICEES, 2013, v. 13, p. 203-210.

MAGALHÃES, Cristiane Maria. Indústria, Técnica e Arte da Azulejaria, Faiança e Cerâmica: o mobiliário luso-brasileiro dos jardins no período eclético do paisagismo brasileiro. Texto apresentado no Congresso do TICCHI, no Porto, em 2014.

MAGALHÃES, Cristiane Maria. A arte de modelar a paisagem: os ornatos de arquitetura para jardins no ecletismo do paisagismo brasileiro. Revista Espaço Acadêmico (UEM), v. 13, p. 74-93, 2014.

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