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Exposição Natureza impressa em livro

Livro de 450 anos mostra plantas, animais e minerais usados para fins terapêuticos

Postagem original do site Revista Ciências Saúde Manguinhos

No dia 1º de março, em comemoração ao aniversário da Cidade do Rio de Janeiro, o Museu do Meio Ambiente inaugura a Exposição Natureza Impressa em Livro – exposição de um livro que tem a mesma idade da cidade: 450 anos.

O livro, de 1565, é uma tradução latina feita por Pietro Andrea Mattioli (1501-1577) do livro De Materia Medica, do grego Dioscórides, e se tornou uma referência para os que estudavam os benefícios medicinais das plantas, sendo consultado por muitos boticários, médicos e estudiosos da botânica no Brasil.

A obra contém ilustrações e descrições de plantas, animais e minerais que eram utilizados para fins terapêuticos no século XVI. A maioria das quase 900 gravuras estão aquareladas.

As informações nele contidas são preciosas para os estudos atuais sobre a biodiversidade, abrangendo diversos campos, como as ciências biológicas, médicas e farmacológicas.

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A qualidade tipográfica merece destaque. A tipografia de Vincenzo Valgrisi seguiu uma linha de trabalhos que vinha realizando na época, bem como a tradição veneziana, que priorizava o uso do itálico e da redonda. Mancha de texto impecável e generosas bordas são algumas características da obra.

A exposição tem a curadoria da botânica Aline Cerqueira, da historiadora Alda Heizer e a consultoria do historiador Bruno Martins Boto Leite.

O livro, que pertence à Biblioteca Barbosa Rodrigues, voltará para o arquivo ao término da exposição, uma vez que as obras raras precisam estar protegidas e sob a guarda de especialistas. A Biblioteca detém um acervo importante de outras obras raras além desta de 450 anos, entre as quais livros dos naturalistas von Martius, Auguste Saint- Hilaire , Glaziou e outros não menos importantes.

Exposição Natureza impressa em livro

A partir de 1º de março de 2016 , de terça a domingo, das 9h às 17h.
Museu do Meio Ambiente – Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Rua Jardim Botânico, 1008. Entrada gratuita.

Fonte: MMA/Jardim Botânico do Rio de Janeiro 

ATENÇÃO! O livro pode ser lido online em: https://www.wdl.org/pt/item/10690/ 

“De Matéria Médica – Descrição

O valioso códice conhecido como Dioscurides Neapolitanus contém o trabalho de Pedânio Dioscórides, médico grego que nasceu em Anazarbo, perto de Tarso na Cílica (atual Turquia) e viveu no primeiro século d.C., durante o reinado do Imperador Nero. Dioscorides escreveu o tratado Perì üles iatrichès, conhecido em latim como De matéria médica em cinco livros. Ele é considerado o manual médico e farmacopeia mais importante da Grécia e Roma antigas. Foi altamente usado na Idade Média tanto no mundo árabe quanto no ocidental. O tratado é sobre a eficácia terapêutica de substâncias naturais originárias do reino animal, vegetal e mineral. O códice da Biblioteca Nacional de Nápoles inclui apenas o volume sobre ervas. Em suas 170 páginas ilustradas, ele abrange todas as plantas medicinais com um comentário que descreve cada planta, seu hábitat e usos terapêuticos. Dioscurides Neapolitanus está fortemente associado ao Dioscurides Costantinopolitanus em Viena, que foi escrito em Constantinopla em 512 por Princesa Anicia Juliana, filha do Imperador romano do ocidente, Olíbrio; provavelmente, ambos os trabalhos derivam de um arquétipo em comum. No entanto, o códice napolitano não contém as mesmas figuras zoomórficas e antropomórficas que aparecem no códice de Viena e em outros códices de Dioscórides, como os mantidos em Paris e no Palazzo Chigi, em Roma. A vivacidade das ilustrações, representadas com mais riqueza pelos comentários detalhados, contribui no valor de antiquário desse manuscrito extremamente raro. O trabalho também é uma fonte importante de estudo da cultura médica greco-romana e sua aceitação no mundo Bizantino italiano por volta do final do século VI e início do VII. Ele fornece evidências das tendências culturais e intelectuais de sua era, incluindo uma certa preferência por um tipo didático de texto que se assemelha mais a um manual que a um tratado científico. Como já suposto por Bernard de Montfaucon no fim do século XVII assim que viu Dioscurides Neapolitanus em Nápoles e exaltou sua beleza, o manuscrito é de origem italiana com certeza, mas o local exato não está claro. Alguns estudiosos acreditam ser da região de Exarcado de Ravena, outros argumentam ser do sul em um ambiente influenciado pelo escritor e estadista Cassiodorus (entre 487 e 580, aproximadamente)”.

Leia em HCS-Manguinhos:

Joséphine Schouteden-Wéry no litoral belga: uma bióloga entre o trabalho de campo e a formação de coleções, artigo de Alda Heizer e Aline Cardoso Cerqueira (vol.21 no.3 Ago/set. 2014)

O inventário das curiosidades botânicas da Nouvelle France de Pierre-François-Xavier de Charlevoix (1744). Kobelinski, Michel.  Mar 2013, vol.20, no.1

Antônio Moniz de Souza, o ‘Homem da Natureza Brasileira’: ciência e plantas medicinais no início do século XIX. Santos, Laura Carvalho dos.  Dez 2008, vol.15, no.4download full movie A Cure for Wellness

Notícias sobre uma expedição: Jean Massart e a missão biológica belga ao Brasil, 1922-1923, artigo de Alda Heizer  (vol.15 no.3 jul/set. 2008)

Conciliar o útil ao agradável e fazer ciência: Jardim Botânico do Rio de Janeiro – 1808 a 1860. Bediaga, Begonha. Dez 2007, vol.14, no.4

Leia no blog de HCS-Manguinhos:

O mistério do Código Voynich
Não se sabe quem o escreveu, nem quem o ilustrou, nem com que intenção. Livro tem 600 anos.

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