Brazilian Historic Gardens

 

O Rio de Janeiro como é

O Rio de Janeiro como é (1824-1826), de Carl Schlichthorst

GRAHAM, Maria Vista do Corcovado 1821-1825“Nos jardins é tal a profusão das flores que até lá do alto se sente seu ofuscante esplendor. Os alvos oitões das casas ocultam-se a meio nas latadas de trepadeiras, cujas flores cor de ouro agradavelmente se misturam ao fresco verdor das folhagens. As magnólias parecem canteiros floridos boiando no ar. Na quente luz solar, ergue-se a colorida pirâmide das estrelitzias, que, à distância, mais parece obra da arte dos homens do que das mãos da natureza. Mas é impossível enumerar todas as plantas e flores maravilhosas a que o calor tropical dá vida, junto com as que as acompanham e foram trazidas para aqui de todas partes do mundo”. (p. 203).

“Um gosto bizarro presidiu à construção do Mausoléu Imperial. Num pequeno jardim, rodeado por todos os lados de altos muros, uma arcada chinesa conduz à exígua capela, que encerra entre grades douradas o lugar destinado a receber os restos mortais de D. Pedro e sua esposa. Dos arcos lavrados em concheados pintados a têmpera pendem lâmpadas douradas. Pelas colunas sobem trepadeiras floridas, plantadas em jarrões postos simetricamente entre elas. Aqui e ali, bancos de pedra. Um simples mo no grama, com as letras P. L., Pedro e Leopoldina, entrelaçados, encima a entrada do jardim. No gradil da capela, as iniciais M. I., Mausoléu Imperial, sob a coroa do Império, indicam o lugar escolhido por D. Pedro para sua sepultura. Em conchas, nas paredes, as datas memoráveis do Brasil. Em tudo se sente uma lisonja delicada, e o conjunto é alegre e agradável, em nada lembrando a morte e o apodrecimento. O Imperador gosta de passar ali alguns minutos antes de ouvir missa na pequena capela que fica nesse jardim. Nunca vi Sua Majestade mais alegre do que nesse lugar de sua predileção”. (p. 75).

“Segundo Moreira de Azevedo, quando todo o terreno compreendido entre o beco dos barbeiros, a Rua do Carmo, a da Assembléia e o Largo do Paço pertencia ao Convento da Ordem dos Carmelitas, havia junto à sacristia da Capela Imperial, hoje Catedral, um jardim “que servia de recreio às pessoas imperiais”, com porta para a atual Rua do Carmo, mais ou menos no local ocupado hoje pelo edifício da Cúria Metropolitana, parte por um balneário. Sobre essa porta via-se a coroa imperial e, nas paredes, havia ornatos de pinturas e conchas. É o que diz o autor: arcos concheados e pintados à têmpera . A descrição é de um jardim de recreio do Paço, do qual o velho convento, por meio de passadiços que galgavam as ruas, se tornara mera dependência. Não se encontra em parte alguma a menor referência a um jazigo imperial ali preparado. O autor fala de duas letras entrelaçadas no gradil M. I. a que atribui a significação de Mausoléu Imperial. Não teria visto mal? Não seriam M. L: Maria Leopoldina? Em todo caso, o jardim existiu”. (p. 75).

Do livro:  O Rio de Janeiro como é (1824-1826): uma vez e nunca mais. C. Schlichthorst – Ex-oficial do Exército Imperial.

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