Brazilian Historic Gardens

 

Buritis

Buriti no Campus da UFAC – Universidade Federal do Acre

“buriti  – verde que afina e esveste, belimbeleza”.

Precisei estar longe, muito longe de casa para encontrar o que imaginava andar por perto. Os buritis, eu os encontrei nas terras quentes-úmidas do norte. Os buritis das minhas paisagens imaginárias de uma Minas Gerais que conheci apenas na narrativa fantástica de Guimarães Rosa.

“Saem dos mesmos brejos  – buritizais enormes. Por lá, sucuri geme”. 

“Buritizal vem com eles, buriti se segue, segue. Para trocar de bacia o senhor sobe, por ladeiras de beira-de-mesa, entra de bruto na chapada, chapadão que não se devolve mais. Água ali nenhuma não tem  – só a que o senhor leva. Aquelas chapadas compridas, cheias de mutucas ferroando a gente. Mutucas!”

Eu vi a sombra do buriti e aquilo me encheu de uma alegria infantil. Não fugimos de nós mesmos, às vezes, apenas conseguimos nos escondemos um pouco. 

“Buriti, minha palmeira,

lá na vereda de lá
casinha da banda esquerda,
olhos de onda do mar..

“Mas os olhos verdes sendo os de Diadorim. Meu amor de prata e meu amor de ouro. De doer, minhas vistas bestavam, se embaçavam de renuvem, e não achei acabar para olhar para o céu”.

Eu, besta, ali parada no meio do dia quente olhando o buriti, a sombra do buriti, o fruto do buriti. Era buriti mesmo? Aquele ali era um pé de buriti? A moça do meu lado sorriu e disse que sim. Fruto bom de fazer sorvete, ela contou, de fazer farinha igual açaí. Sorvete de buriti! Gostei antes de sentir o sabor. Ela nem imaginava para onde eu estava sendo transportada naquele momento.Pois a vida é mesmo uma grande travessia. 

“Vereda em vereda, como os buritis ensinam, a gente varava para após”.

 *citações entre aspas são fragmentos do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. 

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